Chitãozinho e Xororó lançam disco com canções de Tom Jobim: “descobrimos que o Tom era mais sertanejo do que a gente sabia”

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Quando se pensa no cantor bossa-novista, Tom Jobim, muitos pensam em: Rio de Janeiro, praia, Garota de Ipanema e toda a boemia carioca. Mas o que muitos não sabem é que Tom Jobim possui um lado sertanejo – sim sertanejo!

E Chitãozinho e Xororó com a ajuda de Edgar Poças (que sabe como ninguém sobre a obra de Tom Jobim), somada à produção musical com Ney Marques e Cláudio Paladini, mostram muito bem essas canções sertanejas do cantor e compositor carioca no disco Tom do Sertão, lançado esta semana. “As músicas tinham que ter a ver com o nome do projeto. Nossa agradável surpresa, foi que a gente descobriu que o Tom era mais sertanejo do que a gente sabia”, disse Xororó, durante uma coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira, 4 de fevereiro, em São Paulo.

Ele ainda comentou sobre a ideia de gravar canções de Tom Jobim: “A ideia é muito antiga. Eu escuto muito Tom pelos meus filhos, a gente já tinha cantado em um show, Eu Sei Que Vou Te Amar. E no ano passado, eu falei pro Chitão que eu tinha essa vontade. Dois dias depois, ele veio com o nome e me arrepiei”.

Todos os responsáveis pela produção de Tom no Sertão estavam presentes e contaram detalhes das 14 faixas que fazem um passeio pelo sertanejo Tom Jobim, sem deixar de lado as clássicas Eu Sei Que Vou Te Amar, Águas de Março, Chega de Saudade e Correnteza (se você acha que está última é do Djavan, está enganado, a composição é de Tom Jobim em parceria com Luiz Bonfá. Ela foi apenas gravada por Djavan).

Edgar Poças, que é pai dos cantores Céu e Diogo Poças, chegou até Chitãozinho e Xororó por meio de Ney Marques, que sabia do quando Poças sabia da obra de Tom Jobim. “Sem o Edgar, a gente não teria chegado a esse resultado. A ideia era fazer Tom Jobim no nosso universo, sem perder a verdadeira identidade. Nós tínhamos que achar um ponto de equilíbrio. Trazer o Tom para o nosso universo e caminhar no universo dele. E esse equilíbrio foi fundamental para chegar a esse resultado”.

Da dir. p/ esq.: Edgar Poças, Cláudio Paladini, Chitãozinho, Xororó e Ney Marques

E por que Tom Jobim? Chitão responde: “Tom é o cara mais reconhecido da música brasileira. Não só no Brasil, como no mundo todo”.

O cantor ainda completa: “Tinha que ser uma pessoa grandiosa como o Tom Jobim e também mostrar para o público sertanejo que esse cara também tinha a alma sertaneja. Não foi difícil escolher o repertório. Difícil foi encontrar a harmonia”.

Foram cerca de 300 músicas apresentadas por Edgar à dupla, até chegarem às 14 faixas. E tem mais um toque de Bossa Nova, principalmente em Caminhos Cruzados. Roberto Menescal foi convidado pela dupla para tocar a guitarra semiacústica nesta canção. “O Edgar quem teve a ideia de chamar o Menescal. E quando o Ney entrou em contato com ele, ele respondeu na hora ‘só faço se for de graça! Eu tenho uma dívida com Tom Jobim e um respeito imenso pelo trabalho de Chitãozinho e Xororó’”, contou Cláudio Paladini.

Paladini, que trabalha com Chitãozinho e Xororó há cerca de 15 anos, explicou quais foram realmente os desafios para ele, Ney e Edgar e também para a dupla. A ideia inicial sempre foi começar a produção musical das melodias originais, criadas por Tom Jobim “O grande desafio foi colocar a voz do Chitão, porque, no sertanejo, a segunda voz caminha paralelamente à primeira voz o tempo todo. Nos arranjos do Tom não dá. Os acordes são diferentes e eles nunca foram usados na música sertaneja. Então o Xororó teve uma ideia de usar a segunda voz como instrumento de corda, viajando ao longo da música”, explicou.

E completou: “A grande sacada foi essa. Nós três começamos a criar a segunda voz como outro instrumento. Então a melodia do Chitão, ela viaja nas músicas, às vezes ela está perto do Xororó, às vezes está em outro intervalo, às vezes em uníssono, às vezes ele sai. Tem hora que o Chitão cantou mais alto, o Xororó cantou mais grave. As melodias do Tom são muito graves”.

“Eles judiaram muito de mim, mas também judiei deles”, brincou Chitãozinho, destacando a importância de Cláudio, Ney e Edgar na produção: “O desafio foi mesmo o respeito pela obra de Tom Jobim. O desafio era fazer uma dupla sertaneja cantar Tom Jobim. Sem os três a gente não teria conseguido. Eles têm uma importância muito grande nesse trabalho”.


Já Edgar Poças, no seu jeito bossa nova de falar, mas que agora é tão sertanejo quanto a dupla, como brincaram Chitãozinho e Xororó, relembrou as primeiras reuniões com os irmãos. “E Chitão disse ‘se não for respeitar a obra do Tom, a gente não faz’. Eu senti então que eles não iam ferir o projeto do Tom. A partir dessa frase, eu percebi que o projeto ia acontecer. Eles não iam permitir que ficasse invasivo. Foi como se eles tivessem descoberto algo que, pra mim, já estava ali potencialmente latente e ninguém tinha olhado ainda praquilo”.

Edgar ainda destacou a importância que esse trabalho de Chitãozinho e Xororó tem para a música brasileira: “Buscar no Brasil, o que ele tem de rico e ainda não foi explorado. O Brasil é um país muito grande e eles inauguraram uma vertente, um olhar para o Brasil riquíssimo que está ali. Esse trabalho tem essa importância de trazer coisas que estavam dormindo. Não é uma releitura, é uma coisa para instituir um novo olhar na música brasileira, olhar para a nossa riqueza”.

Cláudio ainda destaca sobre Tom do Sertão: “Esse disco não é uma releitura, nem uma regravação, é uma recriação”.

Turnê de Tom do Sertão e show na Broadway

A produção de Tom do Sertão levou cerca de 1 ano, segundo Chitãozinho e Xororó. O foco da dupla agora é, não apenas divulgar o CD, mas também fazer uma turnê desta obra e, ainda este ano, produzir um DVD também em cima desse projeto. “O objetivo agora é montar a turnê e futuramente um DVD”, disse Xororó.

Os fãs que estarão no Town Hall, no dia 21 de fevereiro, em Nova York, podem esperar que vão ouvir algumas canções desse novo disco. “No show da Broadway terá duas canções desse disco, porque a gente sabe do poder de Tom Jobim nos Estados Unidos”, destacou o cantor.

E tem mais de Tom do Sertão: podem aguardar que o projeto será lançado em vinil também, ainda este ano!

Antes do lançamento de Tom do Sertão, Chitãozinho e Xororó já haviam divulgado três canções desse projeto, incluindo Correnteza, que ganhou um videoclipe. Assista abaixo:




Fotos: Rosa Marcondes

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