Fernanda Takai sobre repertório do novo disco: ''Acredito que o trabalho de um artista da música também seja se mostrar através do DNA que formou sua cabeça como ouvinte''

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Fernanda Takai
sempre teve como base principal em seus trabalhos a simplicidade. Tanto na banda Pato Fu, quanto em sua carreira solo, a cantora mineira, que divide suas tarefas entre cantar, ser mãe e dona de casa, conseguiu conciliar toda sua vida para fazer o que tanto ama e o resultado disso tudo já rendeu quatro discos solos, sendo o último, Na Medida do Impossível, lançado recentemente pela Deck Disc.

E essa simplicidade é vista neste trabalho, em que Fernanda usou e abusou (no bom sentido) de parcerias com artistas dos mais variados estilos musicais, não só para cantar, como também para compor. E em um bate-papo com o Farol Pop, a cantora falou a respeito de toda a produção de Na Medida do Impossível, incluindo o projeto gráfico, baseado em um recorte de revista, guardado por Fernanda, o projeto de um DVD com o repertório deste novo trabalho, além de, claro, das parcerias.

Farol Pop: Nesse disco, você mostrou bem mais seu lado compositora... 

Fernanda Takai: Eu tenho várias músicas gravadas pelo Pato Fu, faço minhas canções desde 14 anos, mas tentava traçar uma linha que era não esvaziar o repertório autoral da banda e levar uma carreira solo mais pelo lado intérprete. Fiquei pensando num jeito de fazer isso e a fórmula acabou sendo eu convidar outras pessoas para compor comigo que não fossem o John.

Farol Pop: Ao mesmo tempo, regravações de canções dos mais variados estilos, desde religioso como Amar Como Jesus Amou, que ficou com uma sonoridade parecida com trilha de games, até o samba de Benito de Paula, que ganhou uma guitarra, com uma pegada mais pop. Quando você pensou em regravar essas canções, como surgiu a ideia de fazer essas versões?

Fernanda Takai: São todas canções que eu escutava quando era muito nova. Acredito que o trabalho de um artista da música também seja se mostrar através do DNA que formou sua cabeça como ouvinte. Pegar um repertório afetivamente conhecido e traduzi-lo de um jeito mais pessoal. Isso eu adoro fazer!

Farol Pop: Em um momento em que a facilidade de encontrarmos as músicas e comprá-las pela internet, por que gravou um disco e ainda lançou uma versão em formato de vinil? Você acha que o amor por esse formato está voltando? Os colecionadores agradecem!

Fernanda Takai: Sei que há consumidores de música em formatos diferentes. Então por que não atender à essa demanda do mercado? Eu nunca me desfiz de meus vinis, k7s, cds... Claro que hoje as minhas coleções não aumentam na proporção que era no passado, mas estão todas aqui. É muito lindo pegar um trabalho novo e vê-lo alcançando as pessoas sob várias formas.

Farol Pop: O disco também está cheio de parcerias, não só para gravações, como também nas composições, como a de Pitty, em Seu Tipo, e a regravação de Heal The Pain, de George Michael, com Samuel Rosa, que traz o nome de Pra Curar Essa Dor. Como você escolheu esses parceiros e como foi a gravação ao lado de Samuel Rosa, que eu acredito que muitos fãs aguardavam por essa parceria há muito tempo (inclusive eu, rs)?

Fernanda Takai: Escolhi os parceiros por pura empatia e admiração. E todos eles me acenaram de volta de um jeito muito feliz. Todas as novas composições andaram de forma eficiente, sem arestas. Cantar com Samuel é um presente. Ele é um artista completo, gente boa demais. E nossa faixa está tocando muito nas rádios. É bom saber que nosso encontro rende essa alegria toda para as pessoas.

Farol Pop: Depois dessas diversas parcerias em Na Medida do Impossível, ainda falta algum cantor que tenha o sonho de cantar ou compor junto?

Fernanda Takai: Paul McCartney?! Ah... sempre tem. Aqui no Brasil cantei com quase todos meus ídolos: Rita Lee, Gil, Erasmo, Titãs, Paralamas, Menescal, João Donato...  Cantei com o Duran Duran, quase enfartei! Adoro a Suzanne Vega, seria maravilhoso fazer algo com ela.

Farol Pop: Como foi a ideia da composição do projeto gráfico de Na Medida do Impossível? Foi baseado em um recorte de revista guardado pro você, mas como foi todo esse processo de criação? E qual a relação que a imagem tem com toda a produção do disco?

Fernanda Takai: Levei uma foto japonesa feita em 1885 para a primeira reunião e mostrei as canções com as letras. A partir disso tudo, o escritório Hardy Design construiu uma narrativa visual. Na medida do impossível é um álbum cheio de convidados, precisava de várias autorizações, um cronograma a ser cumprido e minha vida de dona de casa, mãe e cantora é uma correria só... Parece que a gente não vai dar conta de tudo, mas dá!

Farol Pop: Você também investiu em videoclipes, sendo o primeiro da canção You And Me and The Bright Blue Sky, em que você não aparece e mostra a relação linda de cumplicidade que existe entre cão e dona, e depois mostrou o processo de gravação de Pra Curar Essa Dor, com Samuel Rosa. Tem vontade de fazer mais produções assim, trazer mais videoclipes, que estavam um pouco em falta no mercado, mas ultimamente andam fazendo parte dos projetos de muitos cantores?

Fernanda Takai: Eu adoro fazer clipes e quero ter muitos desse novo álbum. Aguardem! Esses dois que foram lançados são bem diferentes e os outros devem orbitar entre vídeos mais artísticos e outros documentais, mostrando o processo de feitura das faixas. Em breve, tudo na rede.

Farol Pop: Atualmente o que anda ouvindo de música nacional e internacional? E qual sua visão do mercado musical brasileiro?

Fernanda Takai: Acho que a música brasileira vai bem sim! Mas se a gente olhar só pelo que faz mais sucesso, ocupa as tevês e rádios de rede, pode ter uma visão desoladora... Ouço muito o novo do Leo Cavalcanti, Silva, Roberta Campos, Érika Machado, Pedro Morais, Céu. O mercado é rico em diversidade, é preciso que ela encontre os espaços para se mostrar.

Farol Pop: Os fãs podem aguardar um DVD com o repertório de Na Medida do Impossível?

Fernanda Takai: Com certeza, mas isso é bem lá pra frente. Quero fazer como foi Luz Negra. Toquei bastante, viajei com o show pelo país todo e só depois fomos pensar em como registrar isso de um jeito interessante. Não é suficiente pra mim só gravar o espetáculo. Tem que ter um conceito maior.

Assista aos clipes de You And Me and The Bright Blue Sky:


E também de Pra Procurar Essa Dor (Heal The Pain), com Samuel Rosa:



Foto: Bruno Senna

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